Como saber se compensa abastecer com álcool ou gasolina: divida o preço do litro do etanol pelo preço do litro da gasolina. Se o resultado for até 0,70, o etanol compensa; acima disso, a gasolina sai mais barata por quilômetro rodado. Essa é a regra dos 70%, e ela existe porque o etanol tem cerca de 30% menos energia por litro, o que faz o carro flex render menos quilômetros com ele. O número exato varia de motor para motor, e dá para calcular o seu com duas abastecidas de cada combustível.
A resposta rápida: a divisão que você faz no posto
Pegue os dois preços no totem do posto e faça a conta na calculadora do celular. Etanol a R$ 4,20 e gasolina a R$ 6,00 dão 0,70: empate técnico, escolha o que preferir. Etanol a R$ 3,90 e gasolina a R$ 6,00 dão 0,65: etanol compensa. Etanol a R$ 4,50 e gasolina a R$ 6,00 dão 0,75: gasolina compensa. Esses preços são valores de referência em outubro de 2026, mudam com o tempo e por região; a lógica da conta não muda.
Uma regra prática que evita a divisão: multiplique o preço da gasolina por 0,7. O resultado é o teto que o etanol pode custar para valer a pena. Com gasolina a R$ 6,00, o teto é R$ 4,20.
Por que 70%: a energia que cabe em cada litro
Gasolina e etanol não entregam a mesma energia por litro. O etanol tem poder calorífico menor, o que, na prática, significa que o motor precisa queimar mais litros para percorrer a mesma distância. Em um carro flex típico, a média com etanol fica entre 25% e 30% abaixo da média com gasolina. Se o seu carro faz 12 km/l com gasolina, espere algo em torno de 8,5 a 9 km/l com etanol.
Daí vem o 70%. Se um litro de etanol leva o carro 70% da distância que um litro de gasolina leva, ele só vale a pena custando até 70% do preço. A conta é de custo por quilômetro, não de preço por litro. É por isso que o etanol parece barato no totem e às vezes sai caro no fim do mês.
A conta na bomba em três cenários de preço
A tabela usa um carro que faz 12 km/l com gasolina e 8,6 km/l com etanol (uma perda de 28%, comum em motores flex aspirados). O preço da gasolina foi fixado em R$ 6,00 para mostrar só o efeito do preço do etanol. Valores de referência em outubro de 2026, mudam com o tempo e por região.
| Cenário | Etanol (R$/l) | Relação etanol/gasolina | Custo por km com etanol | Custo por km com gasolina | Quem compensa |
|---|---|---|---|---|---|
| Etanol barato | 3,90 | 0,65 | R$ 0,45 | R$ 0,50 | Etanol |
| Empate | 4,20 | 0,70 | R$ 0,49 | R$ 0,50 | Quase indiferente |
| Etanol caro | 4,50 | 0,75 | R$ 0,52 | R$ 0,50 | Gasolina |
Repare que, nesse carro, o empate real fica em 0,72, porque a perda foi de 28% e não de 30%. É esse tipo de folga que faz valer a pena medir o seu. Num tanque de 40 litros de gasolina, que rende 480 km, a diferença entre o cenário de etanol barato e o de gasolina fica em torno de R$ 24 por tanque. Quem abastece quatro vezes por mês soma quase R$ 100 de diferença. Não é fortuna, mas é dinheiro que vai embora sem você perceber se abastecer no automático.
Como achar o seu próprio número em vez dos 70%
A regra dos 70% é uma média de mercado. Motores diferentes aproveitam o etanol de forma diferente: alguns turbo flex recentes perdem menos de 25% e, nesses casos, o ponto de equilíbrio sobe para 0,75 ou mais; carros antigos ou com motor cansado podem perder mais de 30%. Para descobrir o seu ponto:
- Rode dois tanques inteiros só com gasolina e calcule a média em km/l pelo método do tanque cheio.
- Rode dois tanques inteiros só com etanol e calcule a média de novo, no mesmo tipo de trajeto.
- Divida a média do etanol pela média da gasolina. Esse resultado é o seu limite: se o etanol custar até essa fração do preço da gasolina, compensa.
Se você nunca mediu a média do carro, o guia sobre consumo de combustível em km por litro mostra a conta passo a passo e as faixas normais por tipo de carro.
Quando o etanol compensa mesmo custando um pouco mais por quilômetro
Preço não é o único critério, e há situações em que vale pagar uma diferença pequena. O etanol tem octanagem mais alta, e motores projetados para aproveitar isso entregam um pouco mais de potência e torque com ele; quem percebe o carro mais disposto pode aceitar a conta. O etanol hidratado também é um combustível renovável, e parte dos motoristas prefere o menor impacto de carbono, mesmo com custo levemente maior.
Há o lado oposto. Carro que fica parado por semanas ou roda pouco a frio tende a se dar melhor com gasolina: a partida a frio com etanol é mais difícil, e modelos mais antigos ainda dependem do reservatório de gasolina de partida. Se a diferença de custo for pequena e o carro vive na garagem, a gasolina evita dor de cabeça.
A gasolina também tem etanol, e isso muda a conta
A gasolina comum vendida no Brasil (a chamada gasolina C) é uma mistura obrigatória de gasolina pura com etanol anidro. A proporção é definida por lei e vem ficando entre 27% e 30%, conforme a legislação vigente; a especificação atualizada e o levantamento semanal de preços por cidade estão no site da ANP. Isso explica por que a média com gasolina no Brasil já é um pouco menor do que seria com gasolina pura, e por que a regra dos 70% funciona do jeito que funciona aqui.
Também explica por que misturar os dois no tanque não é problema no carro flex: o sistema de injeção lê a mistura pelo sensor de oxigênio e ajusta o ponto de ignição e o tempo de injeção. Quem tem dúvida sobre proporções e sobre o efeito de ficar alternando pode ler se pode misturar álcool e gasolina.
Para quem cada opção faz sentido
- Etanol: quem roda muito na cidade, mede a média e vê a relação abaixo de 0,70 (ou abaixo do seu número); quem tem carro turbo flex que aproveita a octanagem; quem mora em região produtora, onde o etanol costuma ser mais barato.
- Gasolina: quem roda pouco ou deixa o carro parado; quem faz viagens longas e quer menos paradas, já que o tanque rende mais quilômetros; quem vê a relação acima de 0,70 na maior parte do ano.
- Alternar conforme o preço: quem passa no posto com a calculadora na mão. Funciona bem em carro flex moderno e é a estratégia que mais economiza ao longo do ano, porque os dois preços oscilam de forma independente.
Erros comuns na hora de decidir
O erro mais caro é comparar preço por litro e esquecer o rendimento. O segundo é usar a regra dos 70% como se fosse lei da física: ela é uma aproximação, e em alguns carros o ponto real fica em 0,72 ou 0,75. O terceiro é decidir pelo preço de um único posto; o preço médio da cidade, que a ANP publica, dá uma visão melhor, e o texto sobre como o preço da gasolina é formado explica por que ele varia tanto entre bairros.
Por fim, nenhuma escolha de combustível compensa hábito ruim. Pneu murcho e pé pesado consomem mais do que a diferença entre etanol e gasolina. Os hábitos que mais rendem estão listados em como economizar combustível no dia a dia.
